CDL Caxias projeta queda de 30% nas vendas para o Dia dos Pais

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Pesquisa de intenção de compras revela que 64% dos caxienses tiveram redução acentuada na renda por conta do coronavírus. Apenas 39% dos entrevistados pretendem presentear neste domingo (9). Pandemia é apontada como o principal fator na redução das comercializações

A recessão econômica em decorrência da pandemia do coronavírus e a instabilidade causada pelo abre e fecha dos estabelecimentos devido à classificação de bandeiras do Modelo de Distanciamento Controlado do Governo do Estado do Rio Grande do Sul devem refletir expressivamente nas vendas para o Dia dos Pais em Caxias do Sul.

Baseada nos resultados da sua tradicional pesquisa de intenção de compras e também nas medidas de flexibilização de atendimento do comércio local, a CDL Caxias estima que, se a Serra Gaúcha se mantiver na bandeira vermelha nesta semana, as comercializações para a data podem recuar 50%, em comparação com 2019. Caso o Governo do Estado do Rio Grande do Sul anuncie nesta segunda-feira (3) o retorno de Caxias do Sul para a classificação laranja, autorizando o recebimento do público, as perdas podem ser amenizadas, chegando a 30% de queda.

Segundo a pesquisa de intenção de compras promovida pela CDL Caxias, realizada de 18 a 23 de julho, somente 39,32% dos entrevistados afirmaram que pretendiam presentear neste domingo (9).  No ano anterior, este movimento era de 63,68%.

“Devido às incertezas da abertura do comércio, a população pode ficar em dúvida do que é ou não permitido. O consumidor está com dificuldade de decidir o que fazer e isso traz um desempenho negativo para economia como um todo. Estamos olhando para o resultado econômico de uma cidade, que depende da arrecadação dos diferentes setores para operar serviços públicos, entre eles o do comércio, que é responsável por quase 30% do PIB de Caxias do Sul”, destaca o gerente Administrativo Financeiro da CDL Caxias do Sul, Carlos Alberto Cervieri.

O executivo também argumenta que, se a bandeira vermelha for confirmada na tarde desta segunda-feira (3), os prejuízos poderão se agravar ainda mais, já que será a primeira data comemorativa, desde o início da pandemia, em que o comércio estará fechado para atendimento presencial. Ainda segundo Cervieri, a impossibilidade de atendimento ao público prejudica expressivamente o comércio, em especial os pequenos negócios, que dependem da venda diária para sobreviver.              

“Já estávamos falando sobre isso há algum tempo e o resultado está aí. O varejo e os serviços não essenciais, por exemplo, não estão arrecadando, pois foram impedidos de trabalhar. E, infelizmente, a conta vai vir logo ali na frente, onde vamos ter uma demanda muito maior por serviços públicos e os governos não terão como pagar por falta da arrecadação desses setores”, alerta.

Metade dos entrevistados da pesquisa da CDL Caxias afirmaram que o coronavírus afeta muito na hora da compra. O estudo apurou, ainda, que 64% da população declarou que a renda da família foi muito prejudicada por conta da crise provocada pela covid-19.

Ainda segundo o levantamento de intenção de compras, neste ano, o ticket médio será de R$ 188 por presente. Oitenta e seis por cento devem comprar no comércio local. Se autorizado pelo governo estadual, a preferência ainda deve ser pelo atendimento presencial, sendo que 55% devem ir em lojas de rua do centro, 15,63% nas de bairros, 8% em shopping e apenas 8% pretendem comprar via comércio eletrônico.

“O levantamento também confirmou que o caxiense não está familiarizado com as formas alternativas de comercialização através de venda online, telentrega e pegue-leve. Apesar de quase 49% dos participantes afirmarem que estão comprando mais através do delivery, este volume é direcionado para restaurantes, lancheiras e fast foods, representando 63% das escolhas. Apenas 11% dos entrevistados que passaram a consumir mais por meio da telentrega estão comprando vestuário remotamente. Isso comprova que grande parte das vendas ainda acontece de forma presencial”, contextualiza o gerente Administrativo Financeiro.

Itens de vestuário e moda (54%), calçados (16%) e perfumes e cosméticos (15%) devem ser os mais procurados para o Dia dos Pais.

“A pesquisa identificou a preferência por compras de artigos para frio, como casacos, pijamas, pantufas, chinelos e tênis, o que reforça que os consumidores estão buscando itens para usufruir no conforto do lar. O segmento de perfumes e cosméticos também vai ao encontro de uma tendência mundial, de que o homem está se cuidando mais”, explica Cervieri.

Quase metade dos entrevistados irão parcelar as compras (18% a mais que em 2019), sendo que 40% irão dividir em três vezes. O cartão de crédito deve ser a preferência de 41% dos consumidores. A opção pelo dinheiro caiu 13% e, neste ano, deve ser escolhido por 48% da população.

“Outro fator que nos chamou atenção na pesquisa é que teve uma expressiva redução no número de pessoas que irão parcelar em seis ou mais vezes. Em 2019, 12% dos entrevistados dividiram os investimentos por longos períodos, enquanto que em 2020 isso caiu para 3%, o que demostra que as pessoas estão cautelosas diante das incertezas do cenário econômico”, analisa o gerente Administrativo Financeiro.

A pesquisa de intenção de compras foi realizada com 384 moradores de diferentes pontos de Caxias do Sul, durante o período de 18 a 23 de julho. O levantamento tem intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 5% para mais ou para menos.

Destaques da pesquisa:
• 39,32% devem presentear neste Dia dos Pais (em 2019 eram 63,68%);
• 66% dos presentes serão destinados aos próprios pais, seguido de marido/namorado (23%) e de sogro (7%);
• 90% vão agraciar como demonstração de amor e gratidão;
• 86% dos consumidores vão adquirir produtos/serviços no comércio local;
• 71% dos entrevistados consideram importante priorizar o comércio local em meio à crise econômica, sendo que 28% adquirem produtos exclusivamente apenas na cidade;
• 90% dos entrevistados disseram que suas compras para a data serão afetadas pelo coronavírus, sendo que 50% alegaram que prejudica muito;
• O ticket médio deve ser de R$ 188 por pessoa;
• Vestuário e moda (53,79%), calçados (15,91%) e perfumes e cosméticos (15,15%) serão os itens mais procurados;
• 47% devem comprar na semana do Dia dos Pais (3 a 9 de agosto) e 13,4% na véspera ou no dia;
• 48,39% dos consumidores pretendem pagar em dinheiro, 40,65% no cartão de crédito e 7,10% no cartão de débito;
• 89,40% pesquisam produtos e preços antes de adquirir, sendo os principais canais os sites das lojas (36,25%), sites de buscas (26,25%) e mídias digitais, como Facebook, Instagram e WhatsApp (21,25%)
• Entre os fatores que ajudam na decisão de compra estão  a opção de atendimento digital ou por telefone (15,77%), entrega a domicilio (15,21%) e identificação clara dos preços (13,80%);
• Além do presente, 86,21% pretendem fazer um almoço especial em casa e 10,34% devem ir fazer a refeição em restaurante;
• 64,38% dos entrevistados disseram que a covid-19 afetou a renda da família, 20,84% afirmaram que prejudicou um pouco e 14,78% disseram que não foi impactada.

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