SIMONE RECH: o que é tendência no comportamento do consumidor

Foi motivadora a palestra Fashion Trends, ministrada por Simone Rech aos associados da CDL Caxias, na última terça (23), no Personal Royal Hotel. “Este vai ser um ano de despertar para a indústria da moda”, anunciou Simone, com base em uma extensa pesquisa de tendências e de comportamento do consumidor. Para a consultora, terão sucesso as empresas que inovarem na “maneira de fazer e vender moda”.

A segunda parte da palestra concentrou o conteúdo da pesquisa de Simone nos principais pólos de moda do mundo: um trabalho intenso de capturar nas vitrines o que ditam as passarelas e adaptar as dicas ao nosso mercado. Os resultados foram minuciosos quadros de referências em cartelas de cores, materiais, cortes e acabamentos que são tendências para o Verão 2020, material útil especialmente aos lojistas do setor de vestuário e calçados.

A primeira parte, no entanto, tratou do comportamento do consumidor, fruto de relatórios de tendências de diversas agências internacionais de pesquisa. E é essa parte, aplicável a qualquer segmento do comércio e serviços, que vamos tratar aqui, através das dicas de Simone sobre que ela chama de nova E.R.A.: Experiência, Relacionamento e Algoritmos.

SEJA DISRUPTIVO

O que, no seu segmento, ninguém oferece e pode surpreender não apenas o seu cliente, mas o consumidor no seu mercado? Não é uma pergunta fácil de responder. Mas pensar na resposta deve ser exercício diário de quem empreende. Simone cita como exemplos disruptivos – que quebram um modelo de negócio – a Amazon, referência no comércio online; a Netflix, que mudou o jeito de consumir entretenimento; o Airbnb, que mudou a concepção sobre hospedagem e a forma de viajar no mundo inteiro.

O tamanho ou o segmento da sua empresa não são impeditivos para pensar grande assim. E Simone tem um bom teste para estimular a sua criatividade e medir o quão disruptivas podem ser as suas ideias: “Se não for arriscado, provavelmente não é inovador”.

PENSE DIGITAL

A nova E.R.A exige que as empresas, independentemente do tamanho, sejam ágeis e pensem em formatos digitais. Simone citou uma série de exemplos de como a tecnologia digital está facilitando o processo de compra e mudando a relação do consumidor com os produtos e as marcas. Hugo Boss lança coleções completamente digitais: só produz o que é vendido; A The Fabricant criou um sistema capaz de mostrar, antes de criar qualquer peça, na prática, a textura, o caimento do tecido, o movimento… em modelos 3D; diversas marcas já recorrem a modelos e até digital influencers que só existem no mundo digital, como o fenômeno da publicidade de mona Lil Miquela e a brasileira Vic Kalli, que, com apenas nove publicações no Instagram, já conta com mais de 22 mil seguidores.

Como sua marca pode aproveitar os recursos digitais para vender mais? Por exemplo, para personalizar o atendimento, a abordagem e a oferta de produtos. “Não se trata de ter a maior seleção, é apresentar a seleção mais adequada ao cliente envolvido”, Simone cita Ananth Narayanan, executivo-chefe da Myntra, o maior e-commerce de moda da Índia. Ela incentiva o uso estratégico dos dados dos clientes para oferecer a cada um atendimento personalizado, os melhores produtos, as propostas de venda mais certas. “Oferecer conteúdo relevante ajuda a vender mais, reduzir o estoque e fazer compras certas”, explica.

CRIE EXPERIÊNCIAS MARCANTES

Para Simone, falar sobre “experiências do consumidor” já não é um assunto novo. Mas permanece sendo determinante para o sucesso das marcas. E é cada vez mais difícil inovar nesse quesito. “A qualidade do produto passa a ser básico e o preço não importa tanto, se a experiência e as sensações na hora da compra forem incríveis e memoráveis”, avalia a consultora.

Uma cabine a -25ºC para testar os casacos Canada Goose ou a casa de vidro da Hunter na Central Station NY, que criava neblina e, literalmente, fazia chover para o usuário testar capas e galochas, foram algumas referências citadas na palestra.

Mas, para Simone, experiências marcantes partem de soluções simples de quem pensa em como surpreender o cliente cada vez mais exigente, desde o início da sua jornada de compra, do pé na loja ao ‘volte sempre’. “Quem busca a loja física, por exemplo, quer ver o produto de perto, sentir, tocar. Ter a segurança, o contato humano, a informação. E essa é a oportunidade de causar um ‘atrito positivo’”, explica Simone sobre os momentos em que o processo de compra sofre uma interferência útil, produtiva e surpreendente ao consumidor.

Não atrapalhar já é meio caminho andado: “qualquer coisa que atrapalhe o processo de compra é um risco”. E nessa lista você pode incluir má exposição do produto, loja bagunçada, vendedor sem informação, preços ocultos.

ESCOLHA SUAS LUTAS

“Hoje não queremos um produto, queremos ética e uma empresa que defenda os valores  que admiramos”. A frase é de John Galliano, diretor de criação da Maison Margiela. A citação na palestra de Simone ilustra um comportamento cada vez mais frequente do consumidor: queremos nos identificar, além do produto, com as marcas que consumimos. Criar essa experiência é pensar em transparência, sustentabilidade e nas bandeiras que a sua empresa vai levantar. E não é apenas discurso: o consumidor está mais interessado na ação.

A questão aqui não é polemizar nem o oposto: permanecer em cima do muro sempre. Trata-se de atrelar sua empresa a realidade e escolher lutas que façam sentido para o seu segmento, para o seu produto e para a maneira que a sua marca quer se posicionar. A Nike, por exemplo, decidiu apoiar o atleta de futebol americano Colin Kaepernick que, em protesto contra a opressão racial nos EUA, ajoelhou-se durante a execução do hino do seu país. A marca até sofreu boicote, mas manteve-se firme na campanha que utilizava Kaepernick como garoto propaganda sob a frase “Acredite em algo mesmo que isso signifique sacrificar tudo”. Just do it.

Quer participar de encontros produtivos como esse? Saiba como ser um associado da CDL Caxias.

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